July 27, 2005

Em suspenso

Encontro-me sentada no limbo da vida
Antes tudo era penoso
A alma tinha um concreto desejo
De lavar essas mágoas
A tristeza que sentia
Era verdadeira
Dava o sentido necessário

Num ápice
Inverteu-se tudo
Libertei-me de imposições
Pressões, limitações
Pensei em ser livre
Vivi essa emoção durante um tempo

Foi curto
Hoje não consigo
Não quero
Regressar de onde saí
Puxada a ferros
Fui

Mas não há sentido
O que faço com uma liberdade
Construida
Idealizada
Não sentida
Nem antes experimentada?

Não sei lidar com a falta do peso de viver
Um imenso deserto aqui dentro
Nada sinto
Olho o mundo por detrás de um vidro
Não toco
Não vivo
Não quero sentir

Não reajo
Não hajo
Não existo
Parece-me impossível ser.

May 11, 2005

Dinheiro e felicidade

Toda a vida ouvimos dizer que o dinheiro não é sinónimo de felicidade... uma grande verdade, sem dúvida, mas que ajuda muito isso é um facto.

Hoje, logo de manhãzinha, recebi um simpático telefonema do meu mecânico (vá lá o senhor teve a gentileza de me ligar antes de avançar, o que é raro), a informar-me que o arranjo e inspecção do carro iria rondar os 400 Euros!!!!!!! Fiquei azul, verde, às pintas.... e a verdade é que não me está a deixar nada feliz!

A verdade é que 400 Euros, e muito menos, é o ordenado mensal de muitas famílias. A verdade é que são 80 contos. A verdade é que não os tenho. A verdade é que tenho a sorte de ter alguém que me pode ajudar.

No café, quando me dizem que a conta relativa a um café e um bolo "são só 2 €", automaticamente penso "porra, são 400 Escudos".

Questiono-me como é que a maioria das pessoas consegue sobreviver nestas condições. Tantas famílias com casas para pagar, filhos para sustentar... como conseguem?!

Não dá felicidade!???? Qual é a mãe ou pai que não fica feliz por poder dar o mínimo de condições materiais aos filhos?

Agora falando de mim, solteira, sem filhos, sem grandes despesas... fico super feliz quando não tenho de pensar duas vezes para ir jantar com os meus amigos, para ir ao cinema, para ir passar um fim de semana fora... o que é certo é que sem dinheiro não é possível, no mundo em que vivemos, permitir-nos a garantir o mínimo para sermos felizes, mesmo que não sejamos esbanjadores ou com a mania das grandezas.

Foi só um desabafo.

May 05, 2005

Equador - Sublimações

Um dia destes, numa das minhas fugazes consultas a este meu blog, curiosamente reparei num comentário sublime: lê este texto.

Li, reli e fiquei impressionada com tanta sensualidade.

Consultem e deliciem-se.

April 06, 2005

E assim...

... 2 meses!!!!!!!!!

Ups! Com tanta coisa a acontecer... será que a minha mente não consegue desenvolver um apontamento sequer?!
Olho para este bocado de mim e não surge nada... Governo, Referendo Aborto, Dia Internacional da Mulher, morte do Papa, 11 de Março, Primavera, Verão, Férias... enfim tantos temas e assim me fiquei, sem opinião, sem apego?
Opinião tenho. Vontade de a transmitir? Talvez não, talvez nim, talvez talvez.
Recolho-me no infinito da alma, relembro os momentos da minha mais exagerada vivência, vivo um dia-a-dia sem amanhã, aprendo que a expectativa é o primeiro passo para a desilusão e que a não-expectativa nos consome o desejo.
A leveza que ambicionamos é insustentável.
A liberdade de não pensar; de apenas sentir; de simplesmente viver; de ignorar o tiro de quem nos quer atingir; de concretizar o objectivo do nosso ser; de caminhar sem ceder...
A insustentável leveza do ser.

February 11, 2005

Rosa dos Ventos

O vento sopra
Vindo do Norte
Envolve-nos numa brisa fresca

Quando revejo o que serei
A vontade de viver transparece
Revejo o fundo da alma

Encontro-me no cume
Lá bem no alto
Olho em volta

Sinto a liberdade
Abro os braços
Sinto esse vento

Viajo incansavelmente
Espero por ti verdadeiramente
O fervor intenso de te encontrar

Voltas do futuro
Abraças-me no passado
Tomas o meu presente

Assim me encontro
Assim sou tudo
O nada fica para trás

Vida Fácil

De manhã cedo
Bem cedinho
Acordo devagarinho
Ignoro os minutos
Viajo num sonho consciente
Tento ignorar o tempo a passar

Marco encontro com o duche
A água quente que me abraça
Desperta-me a vontade de dormir
De regressar aos lençóis

Numa marcha lenta
Numa pouca vontade apressada
Retorno ao dia-a-dia
O trabalho que aperta
O tempo que passa

São horas de voltar
O conforto do lar
A luz apagar
O sonho a recomeçar