September 28, 2004

Já tinha saudades disto!

Pois é! Quem diria! O tempo a passar, a vida a correr, as palavras a quererem emergir e tempo para isso?
Vou aproveitar este bocadinho para matar saudades da "blogosfera"!
Passamos a semana a desejar que chegue o Sábado. Cheios de alegria ele chega e atrás o Domingo e lá vem mais uma Segunda-Feira e a respectiva ânsia de chegar a Sexta. Tudo isto é óbvio, naturalmente! O que me lixa o juízo é só verificar que passamos a maior parte do tempo com os chefes de quem não gostamos, com os colegas que, Graças a Deus, ainda nos vão animando. E a família? E os amigos? E nós e mais o banhinho de espuma? E nós e mais os passeios à beira-mar?
E mais... dou por mim a pedir paciência (e a demonstrar falta dela) aos pais por não poder ir jantar a horas, por não poder estar com eles mais um pouco! De quando em vez lá faço uma escapadela com os amigos, bem mais leves, descontraídos...
E assim passam dias, semanas, meses! E já digo: "há dez anos atrás"!
Aí Tempo volta para trás!

September 20, 2004

Fim de Semana!

Que bela sensação é chegar a 6ª Feira à tarde... que bom!!! Fim de semana à porta!!! Mas é impressionante a rapidez com que ele passa! Dois dias, durante a semana de trabalho, demoram, demoram, demoram... dois dias de descanso, passam a correr e a saltar chá lá lá!!!
Bem não fiz nada de extraordinário, mas tenho algo a destacar.
Fui pela primeira vez ao Parque dos Poetas em Oeiras... recomendo mesmo! Além de ser muito agradável a nível da arquitectura paisagísitica, tem cantos e recantos lindíssimos dedicados a poetas magníficos: Fernando Pessoa, José Régio, Florbela Espanca, David Mourão Ferreira, entre outros. Já para não falar das facilidades: parque de merendas, parque infantil, anfiteatro ao ar livre, enfim, muito bonito e agradável.
Dois poemas me saltaram à vista e à alma:
José Régio (1901-1969)
Cântico Negro
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!
Teixeira de Pascoaes (1877-1952)
A Sombra do Homem
Já de tanto sentir a Natureza,
De tanto a amar, com ela me confundo!
E agora, quem sou eu? Nesta incerteza,
Chamo por mim. Quem me responde? O mundo.
Chamo por mim; e a estrela me responde.
Chamo, de novo; e diz o mar: quem chama?
E diz-me a flor: onde estás? Aonde?
Vede a sorte terrivel de quem ama.
Não percam o Parque dos Poetas! Ah e tem uns cantinhos fabulosos para ler, apanhar banhos de sol, correr, andar de bicicleta, namorar, enfim o que apetecer!!!!

September 17, 2004

O Livro do Desassossego - Parte 2

Desta vez falo do meu Desassossego....

Tenho passado os últimos dias no ritmo frenético e incerto do casa-trabalho-casa, com alguns desvios felizes pelo meio, e, no espacinho de tempo que me é permitido, vou consultando blogs de amigos, os quais me levam a outros e a outros... alguns bastante originais, outros mais comuns, mas gosto desta diversidade de imagens, opções, divagações...

Não tenho tido assunto. Ou antes, muito tenho para dizer (a mim própria sobretudo), mas são coisas minhas... não as considero importantes para serem lidas, mas são relevantes para o meu crescimento e para a apreensão desta coisa a que chamamos viver.

Dessas minhas divagações surgiram umas palavras, dirigem-se a mim e a pessoas sem nome nem rosto para vós...

No entanto, partilho estas humildes divagações... ah! E outra coisa, Melhor é possível, sim! Em cada dia que passa é possível agir, pensar, sentir, imaginar melhor, melhor, melhor, melhor

Saudade do Futuro

Fecho os olhos
Inspiro os sabores do vento outonal
Na pele os teus dedos suaves
Percorrem-me o corpo
Aconchegam-me a alma

O teu abraço eterno
A tua amizade
O teu carinho
A ternura imensa do teu olhar

O meu coração abre
Devagarinho
Sem notar
Sem dor
Sem forçar

Vais entrando
De mansinho
Nesta vida formada
Nestes conceitos estabelecidos

Revolves tudo
Dás-me tudo
Devolvo-te tudo

Não uma troca
Não um pagamento
Sim a resposta
À tua generosidade

Sei que andas por aí
Ainda não sei se consigo
Desligar-me
Velhos conceitos

Mas rogo-te
Entra devagarinho
Sem me assustar
És bem vindo
Esta é a minha forma de amar

Respondo a questões

A quem não devo explicações
Desculpo-me por ser eu
Apenas e acima de tudo eu

Não me façam escolher
Não me façam decidir
Não tentem sequer

Na origem
A força
Houve um desvio
Um percalço

Um percurso diferente
A fraqueza de quem sente
Que nada vale
Hoje
Orgulhosamente
Olhei-me no espelho
Reconheci-me
Finalmente

Ser fiel a quem sou
Luto por isso
As janelas que se abrem
A corrente no ar
As portas que se fecham
Os capítulos que se encerram

Finalmente o luar

Num dia normal

Igual a tantos outros
Conheci-te
Não te vi de imediato
Foste surgindo
De mansinho
Ardente
No meu caminho

Meses passaram
Numa noite
Apenas nessa noite
Os corpos se uniram

Galopam ainda na minha mente
As noites futuras
Que não aconteceram

O abraço forte
O beijo intenso
O toque decente

De quem ama e não sente

Saudades de mim

Recordo a inocência do meu olhar
A vida a passar
O sonho acordado de te querer amar

Sem sentido concreto
Com o coração semi-aberto
Prossegui este caminho

Reencontrei-te num tempo diferente
Senti-me novamente
Como quem sente um amor longínquo, adolescente
Permiti-me reviver-te, amar-te, querer-te

Na distância do tempo
No passado ficaste
O meu presente abandonaste

Motivos inexplicáveis
Dividiram o destino
Por mim criado, imaginado
Talvez

Nunca saberei
Não pretendo averiguar
Qual o sentido
Ainda é cedo achar

Revivi uma paixão já esquecida
Ressenti o frio no ventre
Tremor nos joelhos
Coração sorridente

Ilusão? Por momentos
Senti saudade de quem fui
Quem foste para mim
A distância
O tempo
O presente?

O futuro abraça-me
O amanhã conforta-me
Apesar da tristeza
Ultrapassando a saudade

Vivo hoje quem fui

Objectivando a fúria do vento
Me devolvo ao Mar
As ondas no seu vai-vém frenético, violento
Despejam-me na praia desconhecida da Vida

Anseio por cada minuto
Desejo cada momento
O passado ficou

O meu olhar inocente
Revê o horizonte
Uma fina linha azul
Contrastes dourados de um sol quente

Ardor
Paixão
Quero sentir novamente

Intensamente